[Prisões gregas] Texto do anarquista Panagiotis Argirou ante o julgamento pelo Projecto Fénix contra as CCF

Recolhido do ContraInfo(pt):

A TODXS XS COMPAS QUE ATRAVÉS DOS SEUS ACTOS ME DERAM MOMENTOS DE LIBERDADE

“Só nos momentos em que a nossa tensão pela liberdade se encontra com a práxis é que somos realmente capazes de viver a anarquia, aqui e agora. Desgraçadamente, o sonho que carregamos nos nossos corações é demasiado grande para se evitar o risco de nos vermos frente à monstruosa muralha da autoridade levantada em defesa do Estado e do Capital. Quando realmente pomos a nossa vida em jogo, inevitavelmente acabamos por nos confrontar com as duras condições associadas à luta: a morte e a prisão.”Nicola Gai(*)

Pouco antes do final do 4º julgamento consecutivo contra a Conspiração de Células de Fogo (CCF), e contra mim em particular – como um dos anarquistas que assumiu a responsabilidade pela sua participação na CCF – gostaria de dizer algumas coisas dirigidas não ao tribunal mas a todxs xs companheirxs cuja ação deu ímpeto e subsistência ao Projeto Fénix.

A saudação clara de todxs xs membrxs presxs da CCF aos/às compas da Célula Sole – Baleno (a célula de sinpraxis entre Conspiração das Células de Fogo e Bandas de Consciência), custou-nos, no início, o processo por incitamento a 4 ações do Projeto Fénix: o ataque explosivo contra o veículo pessoal da directora da prisão de Korydallos em Atenas, o ataque explosivo ao veículo pessoal de um chefe dos carcereiros da prisão de Nafplio, o ataque incendiário a um hotel na Indonésia e o envio de uma carta-bomba ao ex-chefe da polícia anti-terrorista, em Atenas.

À posteriori, depois das autoridades competentes terem percebido que o ataque na Indonésia por parte da Unidade da Cólera / Conspiração Internacional pela Vingança – FAI / FRI, nunca se manteria de pé no julgamento, essa acusação caíu antes mesmo do início do julgamento.

No entanto, no que diz respeito aos outros ataques e à acusação em que me consideram instigador, por um lado isso ofende-me porque como anarquista abomino todas as formas de relação hierárquica, mas, por outro lado, ajuda-me a compreender que a dominação se sente ameaçada por guerrilheirxs anarquistas – quando, mesmo que a partir de uma situação de cativeiro, tentam estar presentes e conectadxs com a luta fora dos muros, saudando as hostilidades desencadeadas pelxs seus/suas companheirxs. A dominação sente-se ameaçada quando comprova que a condição de confinamento não é nem de longe suficiente para acabar com a energia combativa dxs presxs anarquistas. Isso por si só é suficiente para que se montem listas inteiras de acusação por incitação. Mas em nenhum caso é suficiente para quebrar a minha moral e o desejo de me conectar com todxs xs compas anarquistas que tomem uma posição combativa.

Portanto, por ocasião do final deste julgamento, gostaria de saudar novamente xs amadxs compas que por todo o lado, em todo o mundo, puseram em marcha a Conspiração da Internacional Negra dxs anarquistas da práxis através dos ataques do Projeto Fénix: do Chile à Rússia e da Alemanha à Indonésia.

Assim, em vez de declarar diante dos juízes, optei por enviar da minha cela um flamejante abraço a todxs aquelxs que optaram por atacar e a quem tenha armado a Anarquia com fogo e pólvora.

Cada actividade em separado, cada ação em especial, deu-me força e iluminou o meu coração com a chama da insurgência anarquista.

Daqui, do país do cativeiro, senti perto de mim cada um/uma dxs compas que das trincheiras do ataque conspirativo prejudicou a normalidade social, de cada forma possível.

A dinâmica que se manifestou com o Projeto Fénix deixou um legado significante, ao estudar o seu impacto dei conta de novas perspectivas de luta aberta para a Anarquia, quando se vai além das fronteiras e distâncias e se elege o choque frontal contra a dominação na base da organização informal.

Foi um desses momentos importantes que me incentivou a contribuir de novo com outra proposta para uma nova posição do combate anarquista através de uma chamada por um Dezembro Negro, um apelo conjunto com o companheiro anarquista Nikos Romanos.

Creio que as perspectivas abertas pelo Projeto Fénix e a coordenação informal da ação direta anarquista a nível internacional podem evoluir para algo mais ameaçador para o Poder, se se encontram com o resto da gama de práticas anarquistas, compondo um mosaico de ação anarquista multiforme a nível mundial que constantemente avança contra o Poder.

Então, tudo o que tenho a dizer à sua justiça é que moralmente, politicamente e em termos de valores, me encontro de todo o coração em cada ataque anarquista contra a dominação. Se quiserem, podem-me acusar de incitação a uma perpétua guerra anárquica contra a dominação, tal como eu poderei acusá-los de incitação a cada ato de barbaridade autoritária assinado em nome da justiça. Nada me daria maior satisfação do que a jubilosa notícia de que uma bala tinha sido cravada na sua cabeça como prémio pela sua vida miserável.

Viva o Projecto Fénix!

Viva o Dezembro Negro!

Viva a Coordenação Informal da Ação Anarquista Multiforme por todo o mundo!

Panagiotis Argirou membro da Conspiração de Células de Fogo – FAI/FRI
24 de Dezembro de 2015

(*) N.T. Nicola Gai é um compa anarquista, preso em Itália, que assumiu a responsabilidade pela sua participação no ataque reivindicado pelo Núcleo Olga-FAI/FRI (disparar contra Roberto Adinolfi, o director executivo da Ansaldo Nucleare)

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