“Eucalyptus globulus” ou “Gasoline Tree” causa do “ecocídio” galego-português

Por O gajeiro na gávea

Seguem os média pretendendo criar um debate sobre como se originou esse fogo. Levam com essa teima desde o início da tragédia como se isso fosse de vital importância quando a cifra de pessoas mortas já atingiu as 64 e há mais de 200 feridas.

Começaram assegurando que nom houvera intervençom humana, que tudo fora causado por umha trovoada seca e que já atoparam o foco inicial numha árvore fendida por um raio como o “Olmo Seco” de Antonio Machado, mas depois, dada a vorágine destruitiva e a amplitude da extensom afeitada, já se falava de mais raios e mais árvores fendidas para explicar a existência de vários focos diferentes; entretanto tirarom de razons atmosféricas e do câmbio climático, das terríveis secas e de ventos extranhos que, numha coincidência espácio-temporal case paranormal, deu pê a enormes “bolas de lume” que avançavam a grande velocidade e mudavam de rumo sorpresivamente e que dariam para vários programas de Iker Jiménez; agora o presidente da Liga dos Bombeiros portugueses lembra que o fogo estava ativo duas horas denantes da trovoada e que tudo aponta a que “o incêndio teve origem em mão criminosa”. Seria fantástico para os governantes que tudo fosse por obra de um grupo de terroristas do lume que permitiram desviar a atençom das verdadeiras causas da tragédia.

Assim deste jeito quanto mais falam da fonte originária da calor (raios, espectros ou mãos criminosas) e das ótimas condiçons do comburente (oxígeno, vento, …) menos se falará sobre o combustível necessário para que se criara um incêndio deste calibre. E a razom para desviar o debate do combustível é a todas luzes evidente: se ficara demostrado que a razom principal e case única desse lume e dessas mortes fosse o combustível, os olhares buscando criminosos focalizariam sua busca nas responsáveis de que os montes de Portugal (e da Galiza) estejam inçados destas espécies alóctones pirófitas para benefício exclusivo de madedeiras e pasteiras (por certo com moi altos niveis de contaminaçom atmosférica que incide na mudança climática). 

Mas o grave problema desta arvores nom radica só no feito de que eucaliptos e pinheiros bravos tenham umha elevada voracidade de absorçom de água e nutrientes dos solos e que sejam altamente pirófitos, senom na sua peculiar maneira de propagar um lume graças a que tanto a pinha do pinheiro como a casca do eucalipto incendeiam-se muito rapidamente, explodem e emitem projeçons incandescentes até centenas de metros de distância apenas nuns segundos (e deste jeito fam falaz a teoria de que um lume com diferentes focos á vez tivo que ser originado pola mão humana). E índa mais, as plantaçons de eucaliptos a esgalha provoca o que alguém deu em chamar “desertos verdes” dada a dificil habitaçom de outras espécies vegetais e animais (quanto menos até que cheguem os koalas). As folhas caidas dos eucaliptos inibem o desenvolvimento de microrganismos nos solos como também impedem o crescimento de ervas, inibindo o desenvolvimento de raízes de sementes de outras espécies. Consequentemente há menos invertebrados nestas “florestas”, menos cogumelos e menos ervas. Consequentemente o solo dos eucaliptais e pinheirais é seco e cheio de folhas que ninguém fagocita e que por tanto favorecem a propagaçom do lume a nivel de chão como se fosse um regueiro de polvora. Consequentemente no subsolo há pouca humidade e as raizes destas árvores pirófitas tamém som pasto das chamas provocando um lume invissível ao olho humano que se expande por todas direçons até que atopa umha fuga e jurde violento como um gêiser de lume na superfície a vários centos de metros do foco de origem colabourando assim a sua expansom incontroloada e incontrolável.

Nom é um complot do eucalipto, é a forma como ele é utilizado o que nos preocupa. As árvores nom som boas ou más. Dito isso nom deixa de ser sintomático que Austrália, país de onde som originários os eucaliptos, seja o lugar do planeta onde dam-se a maior porcentagem de lumes provocados por raios e outras causas naturais. Esa terra onde o Eucalyptus globulus é conhecido, entroutros nomes, como Gasoline Tree (Árvore Gasolina).

De todas os mais altos Eucalyptus globulus do mundo se encontram na Península Ibérica e nom na Oceânia. O eucalipto está perfeitamente adaptado a Portugal e a Galiza, o problema é que Portugal e Galiza nom estám perfeitamente adaptados ao eucalipto. É mais, se bem em Portugal venhem de aprovar umha moratória na plantaçom de eucaliptos até 2030 (açom totalmente insuficinte para saires desta vorágine de lumes mas algo é algo), na Galiza nom foi posível tal graças ao PPdeGa (com maioria absoluta no Parlamentinho, se bem representam só ao 25% da povoaçom galega com direito a voto) que favorece, a base de quantiosas subvençons, a “impunidade” coa que o eucalipto sega a estender-se sem fim polo nosso território.

João Camargo, Engenheiro Zootécnico e do Ambiente e Técnico de Intervençom da Liga para a Protecçom da Natureza do Portugal (de quem recolhim boa parte da informaçom redatada) remata um seu artigo publicado em 2013 intitulado “Eucaliptugal, o ecocídio da floresta nacional” com estas perguntas ainda sem respostas que, se bem ele fai-nas para Portugal som totalmente extrapoláveis á nossa terra galega:

“Se considerarmos além disto que a previsom atual é de que a temperatura no país possa subir até 10ºC nos próximos 75 anos e que o mercado mundial do papel está em declínio, ficam perguntas: qual é o objetivo de tudo isto? Porquê um eucaliptugal, um portugalipto? Quem ganha com este ecocídio? E quando é que vamos deixar de vez de aceitar que espezinhem o nosso direito universal a um ambiente saudável? Quando já não houver?”

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