[Grécia] Carta aberta ao governo grego de uma das okupas desalojadas o passado 27 de julho

Inorma a Agência de Notícias Anarquistas-ANA

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O texto original, publicado na página ainfos.ca, tem o título “Carta aberta a Alexis Tsipras e a seu governo”.

Na madrugada de 27 de julho, tu e teu governo desalojaste a três okupas em Tessalônica, as quais davam alojamento a refugiados e imigrantes. Também deteve a 75 pessoas solidárias, da Grécia e da Europa, enquanto mandaste, com muita pressa, aos refugiados a vários hotspots, alguns dos quais se negaram a recebê-los por estarem cheios. Por isso, os abandonastes no meio do nada. Já que (as outras okupas desalojadas) Orfanotrofío e Hurriya têm seu próprio discurso político, ao que não queremos substituir, os lembramos como okupa “Avenida Nikis 39” que estamos um pouco mais seguro que conheces. Esta okupa foi fruto da revolta de dezembro de 2008 e foi a primeira okupa de teto para os necessitados daquele movimento.

Estando integrada neste marco, através de um edifício abandonado buscava oferecer um alojamento decente a seus “inquilinos”, re-determinando o conceito de espaço público. Por esta razão, todos estes anos tem oferecido teto a centenas de ativistas e manifestantes, não apenas da Grécia, mas do mundo todo.

Quando surgiu a crise migratória, a okupa abriu suas portas para acolher a refugiados e para coexistir, de maneira igualitária e com solidariedade, com os mais necessitados deles, como as famílias com crianças. Ao mesmo tempo, se integrou em uma rede de atenção médica e alimentícia, criada em Idomeni. Pois, a estas pessoas, na madrugada de quarta-feira 27 de julho as fizestes viver mais uma vez o pesadelo do qual trataram escapar, atravessando com milhares de outros o Egeu, o mar das hecatombes.

Antes de tomarem o poder, os demos a boa-vinda a seu inferno, o qual os encarregastes de gerir, sendo incapazes de escapar dele. Impregnados do estatismo e do governamentalismo, não havendo podido produzir nada novo, reproduziste os escombros (a trivialidade) da política do Regime. O Estado não pode ser refundado (se havia dado conta disto o ex-primeiro ministro Karamanlís). Não apenas não os haveis inteirado disto, senão que estais “conquistados” do estatismo.

Trata-se de um estado de emergência constante. Isso de “Esquerda pela primeira vez” é verdade, no entanto, não como a vendias como extravagância dentro e fora do parlamento, mas como a estamos vivendo. O que não se atrevia a fazer a Direita, vós haveis encarregado de levá-lo a cabo, abusando da palavra perdão. Não apenas sois “cada palavra da Constituição”, senão que os estais transformando rápido em “cada palavra da lei e da ordem”.

Para estas tuas opções tens aliados e um monte de capangas, dispostos a jogar este rolo. Com vossa posição sobre a barreira do Rio Evros, como reconhecimento da Turquia como um país seguro, com o acordo que assinaste, com a gestão estatal da questão migratória, havendo transformado Idomeni num quartel, haveis liberado não a Esquerda senão o discurso reacionário e ultradireitista.

Butaris (prefeito de Tessalônica) e Kaminis (prefeito de Atenas), a reitoria da Universidade de Tessalônica e a Igreja, te respaldam, estando em plena concordância com a maioria dos meios de desinformação massivos. Não é a primeira vez que isso acontece. Havia passado o mesmo quando estourou a guerra contra os solidários em meio a crise migratória. Naquele momento te destes conta de que a solidariedade estava adquirindo umas características estruturais, longe de vocês, do Estado e das organizações não governamentais, e da tolerância passastes ao ataque. Alexis, as mortes e as infecções estão passando dentro das estruturas estatais. O que é que não entende da morte de uma moça de 27 anos no hotspot de Softex?

Sabemos que as batidas contra as okupas foi a resposta do Estado ao No Border Camp. Sabemos que quereis estabilizar a solidariedade de acordo com as regras dos quartéis, por isso mandaste a um incrível militar (Toskas) a nos fazer sugestões. Mas, talvez não saiba que não somos uns românticos ou uns lutadores “life-style”.

A auto-organização e suas estruturas, a solidariedade participativa e igualitária com um mundo que não pode existir sem os “outros”, a democracia direta, a justiça social, a luta pelo anti-poder social, é vivência, e está aqui, frente a vós.

Nos veremos na rua. Entendas como quiser.

PS. O que podemos dizer de todos eles que de sujeitos políticos se vão transformando cada vez mais em capangas do pragmatismo do Poder?

No texto original em grego seguem os nomes e apelidos dos membros da okupa.

O texto em grego:

http://www.ainfos.ca/gr/ ainfos02583.html

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