‘Interferências’ de Adriám Mosquera Paços

Informaçom do Colectivo de Apoio a Senlheiro e Colectivo Hip Hop Ateneuposti

O Colectivo de Apoio a Senlheiro edita o primeiro número do que será umha antologia da obra poética de Adriám Mosquera, intitulada Interferências.

A seguir, umha resenha:

Ao tempo que o corpo de Adriám fica atrapado num cárcere entre pardos campeiros de secano, no alto de Buceleiras os ramalhos dumha uveira rubem, como se dumha edra se tratasse, por um alcipreste até coroarem a cimeira da árvore. De acreditarmos nessas cousas, bem poderíamos dizer que se trata da materializaçom do seu espírito, que fugiu do ocre da terra seca e do grisalho dos valados para voltar, sequer a jeito de metáfora, ao verdor do anaco de mundo que lhe é próprio.

A vide e o alcipreste; a retitude e o hedonismo. A vida do militante cam, do organizador dionisíaco, com tam poucas concessons à preguiça quanto ao tédio: se nom podo dançar, nom é a minha revoluçom. A existência acelerada, na festa e no combate, daquele cuja única incapacidade é a de ficar parado. A disciplina do esmorgante.

Talvez seja impossível, a dia de hoje, decifrar a mensagem completa das interferências. É possível que estas venham a adquirir o seu significado inteiro quando a realidade que descrevem (e antecipam) se vaia consumando. O autor nasce e vive numha zona de sombras: o campo e a cidade, o ato e a potência, o centro e a periferia, o eu e o nós, o ser e o querer ser, a arcádia e o sumidoiro. A interferência é a mensagem na garrafa; o grito de emergência, o penso, logo existo e o berro, logo vivo. A convivência de duas pulsons profundas que quiçá sejam umha mesma: a inquietude da conjuntura e o desacougo do fundo da alma.

Carentes de significado para quem nom tiver as chaves, as interferências do aparelho infiltram-se entre o barulho mediático, som frebas de mensagem entre o estrondo. Os sinais de fume das últimas indígenas, que nom das derradeiras. Servem para nos fundirmos na Terra de sempre e na de hoje, para adorarmos as velhas deidades novas; as novas deidades velhas. E para nos adorarmos a nós próprias. Para estarmos juntas.

Porque cada cela é um poro nosso.

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Podes obter ejemplares através de colectivodeapoioasenlheiro@gmail.com ou nos seguintes pontos de venda:

Compostela:
-CSOA Escárnio e Maldizer
-Taberna O Pozo

A Corunha:
-Ateneo Libertario Xosé Tarrio

Ponte-Vedra:
-Distribuidora Anarquista Polaris

A Guarda:
– CS O Fuscalho

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Sobre o autor:

Adriám Mosquera Paços “Senlheiro” (1985, Quistiláns-Ames) luitador independentista, escritor, cantante de rap, colaborador de distintos meios como A Folha da Fouce, Terra Livre ou Abordaxe. Foi detido o 7 de janeiro de 2013 acusado de «terrorismo» e condenado a 7 anos de prisom, desde entom tem percorrido 5 cárceres diferentes do Estado espanhol. Porém, nunca deixou de luitar e cultivar a sua criatividade literaria.

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Unha resposta to “‘Interferências’ de Adriám Mosquera Paços”

  1. […] de agosto às 20:00h, o Ateneo Libertario Xosé Tarrío acolherá a apresentaçom da obra poética Interferências de Adriám Mosquera Paços, ao cargo de alguns membros do seu grupo de apoio. O livro, que já foi […]

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