Filhos da Quintã

A começos do século XX, uma tribo de miúdos, esfarrapados e descalços, mas espelidos como os dos quadrinhos de Castelão, povoavam a zona velha de Compostela. Chamavam-lhes os “pilhos”, da “Internacional” dos malandros da casbá de Argel e os capitães da areia da Bahía. Nos dias de festa, na Ascensão e no Apóstolo, remoinhavam-se entre romeiros e cabeçudos á procura de senhoritos com que exercerem a redistribuição da riqueza. Com o decorrer dos anos e o acelerado processo de turistificação da cidade, foram expulsos do centro. Seres anfíbios por natureza, voltavam ao seu habitat natural: a periferia rururbana. Como na retomada duma longa noite passavam da regueifa ao hip-hop e do fiadeiro ao after. Caçadores-recoletores na pós-modernidade, assaltam regularmente a vila empunhando bilitroques. Nos petos, sprays e cornos de vaca-loura; nas sapatilhas, esterco, terra. No peito, aturujos de liberdade. E assim enchem as paredes de petróglifos indecifráveis e levam as cacharelas de São João ao centro, ao coração dos desertores do arado. E que-não-nos-morda-cadela-nem-cão.

O texto é parte do livro Diàrios, de Carlos Calvo Varela. Os vídeos forom ligados dos espaços de youtube de Alberto Delapu e Rurals87 por idéia de B.Castróm, que realizou este post para Abordaxe!

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