Para que(m) serve a denominaçao «terrorismo»?

Por Comitê de Solidariedade à Resistência Popular Curda de São Paulo

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Terrorismo é a palavra que justifica todas as exceções dos estados modernos, criminaliza populações e demoniza idéias partindo do ponto que o estado e sua forma de existir são naturais e moralmente irretocáveis, como monarquias na idade média.

A conservação do estado, sua forma de ser, sua justiça e sua autoridade autodeclarada precisa controlar e punir os fluxos contrários. Criminaliza para negar e esvaziar qualquer política independente de um jogo de poderes estabelecidos e anti-populares. De acordo com o estado, o terrorismo é algo carregado de “ideologia”, pois não existe maior “terrorismo” que o sonho de transformação.

Abaixo desse guarda-chuva de terrorismo estão fascistas como o ISIS, Al-Qaeda e suas práticas deploráveis em todos os sentidos, mas também uma origem comum no coração, no dinheiro e nas armas dos próprios países que contra eles promovem sua “guerra ao terror”.

Junto a eles nestas listas estão organizações como o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) que ousou separar o povo curdo do estado turco nos anos 80 e 90. Quebrar as linhas artificiais forjadas pelas grandes nações imperialistas no fim da Primeira Guerra é considerado terrorismo dos mais graves. O PKK hoje é considerado uma organização terrorista pelos Estados Unidos e pela União Européia, especialmente na Europa esse status é utilizado para criminalizar a população curda que se envolve na luta.

Hoje o PYD sírio (Partido da União Democrática) segue as mesmas diretrizes que o PKK, porém é visto com bons olhos por americanos e europeus pois consegue eliminar a ameaça fascista do ISIS criada pelo próprio ocidente. Fingem então existir um abismo entre PKK e PYD, ignoram as vontades políticas, mas fortalecem a guerra contra suas piores criações.

As listas de organizações terroristas são guiadas pela política, não pela moral, o Iraque de Saddam Hussein deixou a lista americana em 1982 para receber armas de Reagan em sua guerra contra o Irã. Durante esse período de apoio americano usou armas químicas e promoveu o genocídio de 200.000 pessoas dentro do próprio Iraque, principalmente contra yazidis, curdos, assírios e turcomanos. Só voltou a ser criminalizado quando entrou em guerra contra o rico e liberal Kuwait.

Terroristas também são denominados aqueles que com pedras e paus se defendem de bombas, balas e todos aparato de repressão de polícias treinadas para a guerra contra sua própria população. Quando o estado exerce seu monopólio de violência está “apenas protegendo-se”, garantindo sua conservação, nos excessos se dilui a ética individual de corruptos, profissionais que não representam a corporação, pessoas com problemas psicológicos e tudo será muito bem investigado em algum momento pós-midiático.

Na Turquia o governo de Erdogan massacra centenas de civis curdos indefesos em porões e afirma em rede nacional que a polícia teve sucesso em “neutralizar” terroristas. Na Bahia, o governador Rui Costa chama de artilheiros policiais que chacinam 12 pessoas negras em uma noite. Nas periferias de São Paulo e todo Brasil as chacinas são a forma de justiça imediata adotada pela segurança pública.

Dentro deste contexto, desse uso do termo terrorista, um projeto de lei vago vai ratificar a era dos movimentos sociais “de bem” com CNPJ, líderança e carteirinha. Aqueles que se recusarem a agir dentro da democracia construída pelo dinheiro das empresas que doam para campanhas serão os vândalos terroristas, para o qual o estado terá aval jurídico, midiático e narrativo para reprimir e encarcerar. Assim seremos aterrorizados pelo estado e terroristas ao mesmo tempo.

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