[Turquia] Está-se transformando em um estado paranóico de partido único

Colamos do Curdistam.blogaliza a tradução deste artigo de John Butler(*) para The Spectator:

O régime cada vez mais tirânico do presidente Erdogan reprime a verdade sobre a sua guerra contra os curdos

A Turquia é cada vez menos umha democracia, cada vez mais paranóico Estado de partido único. Se nom acreditas, olha para o que acontece com aqueles que chamam a atençom para as falhas e crimes do governo. Os editores de Cumhuriyet, um tablóide de centro-esquerda, entregam as suas editoriais desde a cadeia desde novembro. Um comunicado divulgado este mês pola Sociedade de Jornalistas de Izmir afirmava que 31 jornalistas estavam na prisom, enquanto 234 estavam no limbo à espera de julgamento legal. Ao longo do ano passado, acrescentarom, que 15 canais de televisom forom fechados e a 56 jornalistas rejeitarom-lhes a acreditaçom.

Recentemente, umha mulher que se identificou como professora telefonou para um popular programa de televisom e perguntou o apresentador, Beyazıt Öztürk, se el estava ciente da terrível violência nas regions predominantemente curdas do sul e sudeste da Turquia. ‘Por favor, nom deixe que as pessoas morram, nom deixe que as crianças morram, nom faça que as maes laiem-se”, implorou ela.

No dia seguinte, o canal de TV – sob intensa pressom do governo turco – foi forçado a emitir um pedido de desculpas humilhante por ter transmitido esse grito de socorro. ‘Doğan TV e Canal D resistiram o Estado desde o primeiro dia até a atualidade”, lia-se. Öztürk mesmo entregou um pedido de desculpas pessoal no boletim de principais notícias do dia. Mas isso nom foi suficiente. El agora está sendo investigado sob a acusaçom de “fazer propaganda para umha organizaçom terrorista”, e nom está claro se o seu programa vai continuar.

Nom som apenas os jornalistas: um grupo empresarial, Koza İpek, foi tomado pola administraçom estatal e os seus ativos nos medios de comunicaçom esquartejados por “financiamento do terrorismo” pola sua proximidade com um dos rivais políticos do governo.

Por que o presidente Recep Tayyip Erdoğan e o partido político que ajudou a fundar, o Partido da Justiça e o Desenvolvimento (AKP), tem a necessidade de suprimir a liberdade de expressom? O AKP está de volta ao poder como partido único nas segundas eleiçons gerais do ano passado com o 49,5 por cento dos votos. El está agora em umha posiçom onde el pode fazer quase qualquer cousa que queira com a Turquia. No entanto, el nom tem a maioria absoluta necessária para mudar a Constituiçom. Isso é problemático, porque Erdoğan está agora em campanha para abolir o cargo de primeiro-ministro e consolidar o seu poder como presidente – que recentemente comparou com a Alemanha de Hitler.

O AKP ainda está a 13 deputados de ser capaz de levar a questom a um referendo, e os três partidos da oposiçom no Parlamento, todos nom som do seu interesse alcançar um acordo. Para alcançar o desejo de Erdoğan, e o AKP, debem botar o Partido Democrático dos Povos (HDP) – umha coalizom de grupos curdos e de esquerda com 59 deputados – fora do parlamento, e isso significa controlar a narrativa sobre a guerra no sudeste da Turquia.

Até agora, o governo parece estar conseguindo definir como os turcos comuns vêem a violência entre o Estado e os vagamente ligados com o HDP-Partido de Trabalhadores do Curdistam (PKK), que eclodiu novamente em julho depois de anos de negociaçons de paz. Aqueles que querem descobrir os feitos, muitas vezes tenhem de triangular entre as notícias pró-governo pouco confiáveis em turco e as igualmente pouco confiáveis, mas menos acessíveis, relatórios da imprensa do movimento curdo. Talvez os dados mais confiáveis som fornecidos pola Fundaçom de Direitos Humanos da Turquia, que di que 1,37 milhons de pessoas foram afetadas polo toque de recolher de 24 horas do governo, que tenhem sido aplicadas desde que a violência reiniciou, e 162 civis forom mortos nos últimos cinco meses.

Erdoğan agora insiste que a Turquia nunca mais vai manter conversaçons com qualquer facçom do movimento separatista curdo. “Esse trabalho terminou”, dixo. O Primeiro-ministro, Ahmet Davutoglu, enquanto isso, dixo a umha multitude em frente à sede do AKP, que o PKK estava “tentando fazer aos jovens inimigos das escolas, das mesquitas e do [santo] livro. Nós estamos contra umha organizaçom de bárbaros.”

No entanto, o AKP é ambivalente na forma como lida com um movimento mais evidentemente bárbaro, o Isis. O governo detem políticos curdos ou políticos simpatizantes dos curdos por ser “simpatizantes dos terroristas”, mas curiosamente é tolerante ao lidar com terroristas islâmicos reais. Na esteira de um atentado suicida do Isis em Ancara em outubro, por exemplo, Davutoglu pediu moderaçom: “Se há umha célula dormente em algum lugar, nom podes simplesmente arredonda-los todos e colocá-los em algum lugar, esperando que ninguém o vai notar. Temos a comportarmos de acordo com a lei.’

Alguns simpatizantes do AKP ansiam polo modo de vida do Isis. Muitos nas fileiras do partido pertencem a seitas de influência sufi, eles ganhariam umha sentença de morte se passaram a fronteira. E o AKP dificilmente poderia ignorar os atentados atribuídos ao Isis no ano passado em Diyarbakir, Suruç e Ancara – ou o assassinato de 11 turistas em outro atentado há três semanas em Istambul.

Ao invés de tomar o puritanismo do wahhabismo sa ecas como um modelo, o AKP prefere a estética de umha nova era otomana, umha tentativa de reformular os dias mais gloriosos daquel império para encaixar a sua marca de islamismo político. Se esta abordagem fôsse um slogan, ‘Fazendo Grande a Turquia’ nom estaria muito longe. Procura sublinhar a força da naçom turca, o papel público do Islam, bem como a importância de umha liderança forte – e é aí que vem o Presidente Erdoğan.

Em seu impulso para o poder quase absoluto é a construçom de um palácio em torno de três vezes o tamanho de Versalhes, incluindo um bunker com acesso directo às câmeras de CCTV da polícia, Erdoğan está claramente sofrendo algumha forma de megalomania. Está neurótico sobre as ameaças que pesam sobre o seu governo, e cada vez mais paranóico com a deslealdade dentro do seu partido. El começou a substituir os principais ativistas com assessores que – a julgar polas suas proclamaçons públicas, polo menos – gastam muito do seu tempo preocupando-se com conspiraçons envolvendo a sinistros financeiros internacionais ou telepatia. Talvez a comparaçom acidental de Erdogan de si mesmo para o Führer foi um lapso freudiano.

(*) John Butler é um pseudônimo.

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