[Turquia] Os olhos do mundo estam voltados nesse pais

Colamos do Curdistam.blogaliza este artigo, autoria de Sarah Parker, que foi originalmente publicado em Left Unity

A situaçom na Turquia está mudando rapidamente, mas para ver onde estam as cousas agora, é útil olhar para trás, aos acontecimentos dos últimos sete meses. O 7 de Junho de 2015, o partido de ampla esquerda e pró-curdo HDP alcançou mais do 13% dos votos nas eleiçons gerais turcas, umha grande vitória, quebrando o limiar eleitoral e ganhando 80 cadeiras, e privando o partido AKP e o presidente Erdogan da maioria parlamentar necessária para que o AKP governara sozinho, e a maioria absoluta que precisavam para passar a um sistema presidencial mais forte de governo.

O fundo

Mas entre o 25 e o 28 de Junho mais de 200 civis forom assessinados em Kobanî polo ISIS em um ataque surpresa, já que o exército turco continuou a ignorar ou ajudar os ataques do ISIS sobre os curdos sírios, e o 11 de Julho a KCK (a Uniom de Comunidades do Curdistam) emitiu umha declaraçom explicando que as numerosas violaçons militares turcas de 2 anos de cessar-fogo na Turquia nom seria mais tolerado, e que, por exemplo, todos os esforços seriam feitos polo povo curdo, incluindo a guerrilha, para parar da construçom de represas para fins militares. O 16 de Julho as Forças de Defesa do Povo anunciarom que guerrilheiros estavam realizando açons de aviso em resposta ao abrupto aumento de atividade militar turca incluindo bombardeios em áreas de defesa da guerrilha. O 17 de julho Erdogan repudiou os “Acordos de Dolmabahçe”, do 28 de fevereiro como base para a paz entre a Turquia e os curdos, um sinal claro de que o processo de paz estava acabado e a guerra começava de novo.

O 23 de julho os EUA e a Turquia chegarom a um acordo polo que a Turquia entraria na chamada coalizom anti-ISIS e que os EUA poderiam usar a base aérea de Incirlik perto de Diyarbakir [3]. Este foi fiada por um suporte cético como um sinal de que a Turquia pode começar a lidar com o ISIS, ao contrário de ignorá-los ou assistindo-os. Dentro das 48 horas do acordo, a Turquia tinha feito alguns bombardeios sobre o território do ISIS na Síria, (depois pouco mais foi ouvido sobre este aspecto da campanha) e começou umha campanha aérea sistemática contra acampamentos da guerrilha no norte do Iraque, que continuou ininterruptamente até agora. Após um período de tentativas tímidas para formar um governo de coalizom, o 24 de agosto Erdoğan chamou para novas eleiçons para o 1 de novembro. Estas forom em umha atmosfera de intimidaçom flagrante depois de mais de 100 ataques contra as sedes do HDP e o bombardeio de umha manifestaçom pola paz convocada por organizaçons do movimento de trabalho e do HDP o 10 de Outubro, em que 102 pessoas foram mortas e mais de 400 feridos. Nengum grupo reivindicou o atentado, mas pensa-se que foi realizado por pessoas com ligaçons ao ISIS. Os votos do HDP ainda estiverom sobre o limiar do 10%, mas o voto do AKP aumentou apenas o suficiente para que o partido conseguira a maioria absoluta.

Autogoverno e resistência

Desde o início de Agosto de 2015, assembleias municipais no Curdistam da Turquia começarom declarando o autogoverno, e isso foi confirmado pola reuniom do Congresso Popular Democrático o 28 de Dezembro de 2015 após o AKP de Erdogan roubou as re-eleiçons do 1 de novembro. A idéia é para construir a mais forte possível auto-organizaçom local como um meio de auto-defesa e como um passo no caminho para a liberdade por causa da perseguiçom do Estado turco. Os jovens inicialmente cavarom valas e colocarom barricadas para impedir a entrada a estas áreas a polícia e o exército. Mesmo que em muitas destas áreas os bairros já foram literalmente sitiados por 10.000 soldados por meses, o exército turco, a polícia e as forças especiais nom forom capazes de retomar-los apesar de ter expulsado a alguns moradores. Os piores cercos som os dos distritos de Cizre e Silopi, na província de Sirnak, e o de Sur, o centro histórico de Amed (Diyarbakir), atualmente sob bombardeio de morteiros pesados polo exército turco, que vem tentando desde há mais de 40 dias recapturar os bairros sob controle das novas forças de autodefesa e da povoaçom local.

Um representante do Conselho Popular de Cizre hoje (18 de janeiro) apelou por um levantamento em todo o Curdistam para apoiar a resistência curda. A resistência está no seu 33º dia em Silopi, onde os bairros estám frequentemente sob o fogo de tanques e 26 civis forom mortos, mas o Estado concedeu levantamento do toque de recolher durante o dia desde o 19 janeiro. O deputado do HDP Ferhat Encü di que as cousas som muito piores do que após o golpe militar do 1980. As dadas mais recentes som de que 283 civis forom mortos nos cercos desde o 12 de julho, enquanto se estima que 300.000 pessoas forom expulsas das suas casas nas profundezas do inverno.

A esquerda precisa despertar ao feito de que a guerra curda desceu das montanhas para as cidades e que milheiros de pessoas estam em umha resistência heróica a um importante membro da OTAN que tem dito repetidamente que esmagaram rua a rua a resistência, e fazer algum trabalho sério de solidariedade.

O grupo guarda-chuva do KCK, Koma Civakên Kurdistan (Uniom de Comunidades do Curdistam) instou às pessoas a ficar e apoiar a resistência se eles som capazes de, embora muitas pessoas tenham recuado para outros distritos, como a situaçom é muito perigosa, com pessoas que estam à vista mortos por franco-atiradores ou artilheiria, enquanto o Estado cortou água e electricidade. Deve ser notado que os centros de resistência som as cidades curdas do sudeste, que sofrerom repressom por setenta anos, além de discriminaçom e elevado desemprego, e onde o HDP recebeu muitos votos nas eleiçons, tanto em junho como em novembro de 2015, e estam perto de Rojava e o Curdistam do Iraque.

Quanto o comandante das Forças de Defesa do Povo, Murat Karayilan dixo na sua mensagem de Ano Novo: “O AKP desencadeou um ataque furioso sobre nós. As guerrilhas e também a juventude nas cidades, todos os componentes da sociedade curda, estam fazendo a sua parte na resistência “. As unidades de autodefesa forom anunciadas em mais e mais lugares, o último dos quais é umha unidade feminina (YPS-Jin) em Nusaybin. A participaçom das mulheres na luita cresce todo o tempo, e claramente a resistência das mulheres e a sua determinaçom de luitar pola liberdade é a enorme força do movimento. No geral, a resistência contra o poder do Estado turco é um feito notável e talvez de algumha forma explica o silêncio de outros membros da Otan.

Relativo ao resto da sociedade

Olhando para o Estado turco como um todo, Tariq Ali realizou umha interessante entrevista em Telesur chamado “A Turquia é umha sociedade em ebuliçom” no qual Sungur Savran destaca eventos de referência dos últimos três anos: junho-setembro de 2013, a revolta Gezi, 6-12 outubro 2014 a serhildan (levante) em áreas curdas da Turquia com milhons de pessoas na rua, e “quando ficou claro que o PKK tinha unidades armadas até mesmo nas cidades pequenas’, e a greve dos metalúrgicos do 2015, quando em maio dúzias de milheiros levantaram-se primeiro contra os sindicatos amarelos e depois contra os patrons, em umha onda que se espalha de Bursa a Izmir, Ancara, Istambul, um desenvolvimento promissor, pois o movimento operário tinha estado em grande parte dormente durante muitos anos.

Savran argumentou que as forças seculares nas grandes cidades da Turquia, a pequena burguesia e as camadas superiores da classe operária que costumavam votar o CHP (antigo partido de Ataturk, nacionalista, mas social-democrata) agora se estam tornando compreensivos com os curdos e começando votar o HDP; é vital para os socialistas continuar a trabalhar para desenhar este bloco na órbita do HDP. El também observa que Erdogan começou a mobilizar activamente os grupos de extermínio da direita (em parte porque nom pode confiar inteiramente no exército, em parte, ainda secular ligado à NATO) para usar contra a classe trabalhadora na Turquia, e contra os esquerdistas, alevitas e curdos.

Esta foi umha das razons que as pessoas decididas a colocar as barricadas – eles sabiam que teriam de se defender, cedo ou tarde.

Os desenvolvimentos mais recentes que ligarom o oeste da Turquia à guerra contra os curdos no sudeste som a bomba que matou 10 turistas, principalmente alemaes em Istambul, e a declaraçom dos Academicos pola Paz, que foi assinada por mais de 1000 acadêmicos na Turquia e muitos de fora. Os acadêmicos que assinarom a declaraçom apelando para a paz e o fim da repressom forom acusados de traiçom, e ameaçados tanto por Erdogan, como polo conhecido chefe do crime Sedat Peker. Todas as assinaturas estam sob investigaçom criminal, muitos forom presos, e alguns já forom despedidos dos seus empregos, com relatos de pressom a ser-lhes aplicadas, tais como marcas em destaque a ser colocada nas portas do escritório dos signatários. Um movimento está-se juntando na sua defesa, que, felizmente, tornou-se rapidamente internacionalizada, e recebeu considerável cobertura dos mídias, como Erdogan talvez imprudentemente estendeu a sua crítica para Noam Chomsky e Tariq Ali, os conhecidos apoiantes de luitas de libertaçom que assinarom a declaraçom. Na última contagem 299 acadêmicos na Gram-Bretanha assinarom umha declaraçom de apoio. Noam Chomsky e Tariq Ali digerom que só vai ir a Turquia se for convidado por o povo curdo e o HDP, em resposta ao convite feito polo presidente Erdogan.

Tanto o HDP e Partido Republicano do Povo (CHP) condenarom as ameaças de Erdogan e expressarom a sua preocupaçom polo caminho ao que el está levando à sociedade. O deputado do HDP Faysal Sariyildiz convidou a Chomsky para visitar a regiom do Curdistam e convidou a Erdogan e Davutoglu para conversar com el para ver a situaçom por si mesma, que acompanha os convites com a afirmaçom muito gráfica que descreve as condiçons sob o cerco, que pode ser lida aqui.

Turquia em Síria e o Iraque

É enganoso analisar as actividades do Estado turco dentro das fronteiras turcas isoladamente: a sua política exterior próxima também deve ser compreendida. Deve-se notar que o Estado turco está profundamente envolvido em operaçons militares e outras interferências no norte da Síria e norte do Iraque, tentando recuperar o rol de antiga potência regional, através de tentativas egoístas para explorar as queixas legítimas da oposiçom ao regime na Síria, juntamente com umha última tentativa para bloquear a luita do povo curdo e os seus aliados tanto na Síria como no norte do Iraque.

Só para dar umha descriçom geral sobre a luita curda na Síria, o PYD curdo (Partido de Uniom Democrática) e o seu braço militar as YPG (Unidades Defesa do Povo) na Síria, digerom constante que iriam defender as suas próprias áreas se eram atacados e figerom isso. Estam actualmente a continuar a defender os três auto-declarados cantons autónomos de maioria curda e mistos de Afrin, Kobanî e Jazira (Qamishli e Hasakah), e a área de maioria curda de Shaikh Maqsud em Alepo. As batalhas para romper o isolamento do cantom ocidental de Afrin e defender Sheikh Maqsud, recentemente bombardeada polo regime e atualmente sob ataque pesado novamente polas forças de Al Nusra e Ahrar Al Sham, e cortar as linhas de abastecimento desde Turquia o ISIS e cara o leste via Raqqa e Shengal a Mosul, estam ocorrendo actualmente.

Erdogan dixo que, se os curdos cruzavam ao oeste do Eufrates isso seria umha linha vermelha para a Turquia; isso aconteceu recentemente, quando as Forças Democráticas Sírias, (o novo nome para as forças curdas de defesa e os seus aliados, que incluem árabes e algumhas unidades assírias) cruzarom o Eufrates e tomarom a represa de Tishrin e os arredores do ISIS. Presumivelmente, a atitude dos EUA é que as forças curdas sírias atualmente útis para manter o ISIS dentro dos limites, como os peshmerga da PUK no Iraque; e que, ao seu devido tempo, a Turquia estará livre para lidar com ambos. Obviamente, a maioria do povo curdo tem uma ambiçom diferente – sobrevivência, auto-determinaçom, e a democratizaçom de todo o Oriente Médio, e é o trabalho dos socialistas ficar com eles.

O Estado turco tanto para esmagar toda resistência como retomar as terras perdidas polo Império Otomano no final da Primeira Guerra Mundial, estabeleceu bases militares do exército turco no norte do Iraque, em 1991, sob o manto da zona de exclusom aérea, definiu ostensivamente para proteger os curdos do Iraque de Saddam Hussein. As bases forom usadas em 1996 em cooperaçom com o KDP para atacar os guerrilheiros do PKK. O exército turco fixo um ataque mal sucedido em bases do PKK o 26 de Dezembro do 2007 e após umha renhida luita em que as áreas sob ataque também forom defendidas por peshmergas da PUK que correrom ao norte de Sulaymaniyah e a área circundante, o exército turco tivo que recuar às pressas com pesadas perdas ; o exército fixo várias incursons mais ao longo desse inverno. O novo Parlamento do Curdistam votado em 2008 votou que as bases devem ser retiradas, e o Primeiro-Ministro da KRG Nechirvan Barzani confirmou que as bases turcas seriam fechadas, mas nada aconteceu. No final de 2011 EUA e a OTAN “tropas treinadas” deixarom o Iraque ao longo do fracasso no acordo de imunidade para as açons das tropas americanas’; a retirada do grosso principal das forças americanas tivo lugar entre Dezembro de 2007 e 2011. Em 2012, o governo iraquiano dixo que as bases turcas tinham que ser fechadas. Entom, para essa altura as forças Americanas e outras da OTAN que tinham estado no Iraque desde 2003, em grande parte retiraram-se, mas o número de forças turcas aumentou. A presença das tropas turcas nom era popular; a petiçom com 470.000 assinaturas forom coletadas no sul do Curdistam e entregues ao Parlamento Regional do Curdistam e à Presidência, em 2012, e com quase um milhom ao Parlamento e ao Governo Regional em 2015, mas forom ignoradas.

A actual situaçom no Curdistam Iraquiano é potencialmente explosiva. Turquia e outros membros da OTAN som bem conscientes de que as pessoas no sul do Curdistam estam furiosos com as corrupçons e ineficiência do seu governo, mesmo que a situaçom é menos catastrófica do que no resto do Iraque. A política da OTAN é apoiar deliberadamente o partido de Barzani, o KDP, como contraponto para a mais radical PUK baseada em Sulaimaniyah e Kirkuk, e à crescente presença de guerrilheiros aliados ou pertencentes ao PKK, no Sul do Curdistam, nom só no refúgio de montanha de Qandil, mas desde a ascensom do ISIS e da queda de Shingal e Mosul em 2014 em outras áreas.

Neste momento os peshmerga da PUK e guerrilheiros do PKK e as YJA Estrela estam segurando em conjunto um pesado assalto do ISIS no sul de Kirkuk, e nom escapou à atençom dos combatentes curdos que as forças militares turcas no Norte do Iraque estam bem posicionadas para se envolver em umha fugida do ISIS de Mosul que estam sob muita pressom lá, ou até mesmo mover-se contra a “Zona Verde” da PUK se houver um aumento do movimento de massas contra a corrupçom e a pobreza – talvez a NATO e a Turquia até mesmo ver umha presença crescente do exército turco no norte do Iraque como um substituto para o exército dos EUA.

Quebrar o silêncio

Apesar das especulaçons periódicas de que os EUA e os Estados membros da UE nom gostam de algumhas das políticas da Turquia, desde que o AKP renegou dos Acordos de Dolmabahçe entre o Estado turco e os curdos e reiniciou a guerra em julho, houvo alguns comentários de outros membros da OTAN sem excepçons com declaraçons lapidarias de apoio ao direito da Turquia de defender a sua segurança nacional. Como o inverno se aprofunda e o exército turco bombardeia cidades curdas porque nom tem sido capaz de retoma-las, há um silêncio ensurdecedor de outros governos.

O 18 de janeiro o primeiro-ministro Davutoglu visitou a David Cameron e cinco pessoas forom presas em Whitehall quando a polícia tentou impedir os manifestantes de fora do 10 de Downing Street de protestar, todo o incidente mostra claramente de que lado está ligado o governo britânico, se houvesse qualquer dúvida.

Notícias de Última Hora

Na noite do 19 de Janeiro há relatos de que o exército turco já cruzara a fronteira para a Síria em Jarablus, o último ponto de passagem do ISIS-realizada na fronteira com a Turquia, sem reacçom das forças do ISIS na área. Isso vem em meio a umha explosom de especulaçom da mídia de que as conversaçons da ONU sobre Síria será adiada porque a Turquia se recusa a aceitar que deve haver representaçom curda no lado da oposiçom nas negociaçons.

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