[Lugo] O C.S. Mádia Leva! abre ciclo cinematográfico sobre género

Desde o Centro Social Mádia Leva, em Lugo, convocam o cliclo de cinema “Questom de género”.

ciclogenerotodas Quando os sisudos historiadores do cinema, académicos, críticos e especialistas que constroem a sua história e elaboram o cánone, incerto como o futuro da indústria do cinema em crise, se virom na obriga de introduzir nos seus estudos os nomes de cineastas procedentes de sectores da populaçom excluída do sistema, por razons de raça, de género, de classe,… e quando aliás, o impacto dos filmes destas realizadoras excluídas, ameaça com quebrar a ordem estabelecida por convençons e padrons postos ao serviço da reproduçom em série de valores dominantes e hegemónicos, entom, esses mesmos estudosos do cinema, acham a fórmula para desactivar o potencial desestabilizador destas autoras separando-as da História do cinema, convertendo-as em vozes secundárias no desenvolvimento e evoluçom da arte cinematográfica. Aparecem desse modo epígrafes sobre o cinema do tipo: feito por negros, cinema gay e lésbico, cinema do terceiro mundo, cinema feito por mulheres. A manobra consiste em, por um lado, uniformizar e homogeneizar a diversidade e singularidade das cineastas apresentando-as como um modelo ou arquétipo dum tipo de cinema concreto, e polo outro impedindo que manifeste umha identidade colectiva, pois os modelos e arquétipos ajustam-se à repressentaçom que a cultura dominante constroe sobre a sua condiçom.

É o caso do cinema feito por mulheres, por umha lado, define-se com traços uniformadores o cinema feminino a partir dos estereótipos construídos pola própria indústria do cinema, filmess para mulheres, sentimentalistas, vitimistas, intimistas…, mas ao mesmo tempo oculta-se umha entidade própria e a possibilidade de construir umha identidade em que poidam reconhecer-se as mulheres fora do marco de repressentaçom imposto pola indústria do cinema e a cultura patriarcal.

A intençom do cineclube Mádia Leva, ao apresentar sob o mesmo ciclo quatro filmes feitos por mulheres é inverter os termos da ecuaçom, por um lado, afirmando o carácter singular de cada obra, os quatro filmes som muito distintos, representam diferentes estilos e diferentes discursos, as autoras destacam-se aliás, por manter umha posiçom de independência inegociável frente ao cinema comercial.

Por outro lado, se pudermos estabelecer vínculos comuns entre os filmes estes passam por tratar, de diferentes perspectivas, a questom de género. Se como autoras decidem rachar com as formas narrativas do cinema clássico na procura dumha linguagem própria, como mulheres empregam essa linguagem para abranger de umha posiçom feminista questons excluídas do cinema convencional. Ann Kaplan, crítica norteamericana e feminista de cinema pom como exemplo algumhas das questons recorrentes nos filmes feministas: “A reflexom sobre a relaçom indivíduo-comunidade, o auto-questionamento, a interrogaçom sobre a própria identidade em desavença ou oposiçom aos conteúdos da ordem simbólica patriarcal”. Questons todas elas presentes nos filmes programados para este ciclo.

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