[Turquia] Onde Chamar pola Paz é terrorismo

Colamos de Curdistam.blogaliza este artigo assinado por Rosa Burç (*), que foi publicado originalmente em telesurtv.net:
Turquia atraíu a atençom internacional depois de que umha carta assinada por Noam Chomsky e mais de 1.100 acadêmicos condenaram a violenta repressom do governo.

Umha declaraçom assinada por mais de 1.100 acadêmicos, incluindo o famoso linguista e filósofo norte-americano Noam Chomsky, pediu ao governo turco “abandonar a sua massacre deliberada” da povaçom curda do país.

O documento, que foi viral, irritou a Ancara, Recep Erdogan, o presidente, chamou a todos os signatários “escuros, desonestos e brutais.”

O documento está chamando a atençom internacional para um aliado dos EUA e membro da OTAN que está se tornando cada vez mais autoritário e empregando a violência estatal e a repressom para criar um clima de terror no país.

“O que os meios de comunicaçom estám dizendo é muito diferente do que estamos experimentando. Consulte-nos, por favor, escuite-nos ouvir e ofereça-nos ajuda”, dixo Ayse Çelik, um professor da província de Diyarbakir, que chamou o Beyaz Show – um dos programa de televisom de entretenimento mais bem cotados na Turquia. “Nom deixem que as pessoas morram, nom deixem que as crianças morram e nom deixem que as maes chorem.”

A Turquia é, provavelmente, um dos poucos países no mundo onde este tipo de declaraçons é julgadas como terrorismo, o programa de TV foi investigados por “propaganda terrorista”, e onde o apresentador do programa tivo que pedir desculpas publicamente polas suas declaraçons e manifestar o seu total apoio às operaçons militares do estado.

O chamado de Çelik era umha tentativa desesperada de romper o silêncio no país, principalmente no Oeste de Turquia. Enquanto o Ocidente se envolve com o nacionalismo e firme apoio para as narrativas que saem de Ankara nas que as operaçons militares nas províncias curdas se justificam como umha operaçom anti-terrorista em defesa do estado, a realidade política no sudeste curdo evoca umha zona de guerra, onde os toques de recolher, a tortura e as execuçons tornarom-se comuns.

O conflito turco-curdo leva mas de três décadas, e ainda atingiu novos níveis de violência recentemente. Hoje, o Estado continua a implicar a mesma lógica que há 20 anos: cortar qualquer exigência política curda através da aplicaçom de duras políticas de segurizaçom e coerçom sob as leis anti-terroristas vagamente definidas e umha constituiçom escrita em 1982 por umha junta militar liderada polo general Kenan Evren.

Depois de rematar o processo de paz com o Partido dos Trabalhadores do Curdistam ou PKK, em agosto de 2015, o governo Erdogan lançou umha ofensiva militar em cidades curdas no sudeste da Turquia. Forom impostos dúzias de toques de recolher, a mais longa está sendo a do distrito de Sur na cidade de Diyarbakir, que agora está no seu 49 dia. Os toques de recolher mais pesados forom imposta notavelmente nas cidades curdas, onde o AKP de Erdogan, ou Partido da Justiça e o Desenvolvimento, tivo poucos votos nas últimas eleiçons.

Os curdos no entanto, emanciparom-se da abordagem do estado para a questom curda na redefiniçom do conceito de democracia e luitando por umha paz digna. Hoje nom é unicamente o PKK quem desafia o Estado turco na primeira linha, mas é umha organizaçom ad-hoc de civis – mulheres, crianças, idosos – que defendem as suas vidas atrás de trincheiras e barricadas.

Resistindo um estado que conduze a sua força por meio de armas pesadas, artilharia, veículos blindados, helicópteros e detençons caprichosas sobrevivir so é possível tornando-se invisível para o Estado. Trincheiras e barricadas, portanto, som espaços de sobrevivência e nom o resultado de umha agenda separatista curda, como falsamente proclama o Estado turco.

Em impor violentos toques de recolher em um estado de emergência de facto, o Estado turco nom só coloca as cidades curdas sob assédio, mas também tem sabotado qualquer possibilidade de negociar pacificamente umha soluçom política.

A autonomia curda dentro das fronteiras turcas unicamente está sendo discutida e, assim, criminalizada como parte das chamadas “trincheiras-políticas” por colunistas e políticos tradicionais, em vez de avaliar a demanda de autodeterminaçom como um direito fundamental. Por isso, o governo do AKP nom tem nengum problema em militarizar ainda mais o conflito. Colocando as demandas curdas sob assédio, a ofensiva contra a vida de civis, certamente demonstra umha tentativa de isolar a questom curda de outras discussons em torno as deficiências democráticas da Turquia.

Embora a estratégia de isolamento do governo parecia ser bem sucedida no que di a respeito ao silenciamento das vozes críticas na parte ocidental da Turquia, foi a iniciativa dos acadêmicos chamando pola paz imediata a fim de pôr fim ao crescente número de mortes na Regiom Sudeste do país o que desencadeou umha discussom sobre a guerra da Turquia contra os seus cidadaos, nom só na Turquia ocidental, mas até mesmo internacionalmente.

A declaraçom foi inicialmente assinada por 1.128 acadêmicos de 89 universidades turcas, bem como por mais de 300 cientistas de fora do país. Noam Chomsky, Judith Butler, Etienne Balibar, David Harvey e Tariq Ali estam entre os nomes mais populares dos muitos apoiantes.

“O direito à vida, à liberdade e a segurança, e, em particular, a proibiçom da tortura e maus-tratos protegidos pola Constituiçom e as convençons internacionais forom violados”, dizia a declaraçom. “Exigimos que o estado abandone a sua massacre deliberada e deportaçom do povo curdo e outros na regiom.”

A declaraçom também pede umha delegaçom independente de observadores internacionais para ir a regiom, bem como um fim dos toques de recolher. Certamente, em um país como a Turquia, que reforça o nacionalismo através dos conceitos de traidores e terroristas, os intelectuais derom um passo à fronte, dizendo: “Nós nom formaremos parte deste crime”.

Agora todos os signatários acadêmicos estam enfrentando represálias penais e profissionais depois de que o presidente Erdogan os chamou de ” escuros traidores ” e o Conselho de Educaçom Superior (YÖK) anunciou umha investigaçom contra os estudiosos que apóiam a iniciativa. Mais de 20 acadêmicos já foram detidos por “propaganda terrorista.”

A descida da Turquia num crescente Estado autoritário está marcada polo que qualquer dissidência pacífica, apelando pola paz com os curdos, bem como difundir o conhecimento das mortes de civis, é estigmatizado como traiçom.

Em uma resposta ao ataque do AKP à liberdade acadêmica, Judith Butler afirmou que “a denominaçom da análise crítica como traiçom é umha antiga e indefensável tática dos governos que desejam ampliar os seus poderes à custa da democracia.”

Quando a prerrogativa da interpretaçom está nas maos de um estado que está em umha perigosa deriva autoritária, nom é nengumha surpresa que chamar pola paz seja percebido como umha grande ameaça para o poder do Estado.

(*) Rosa Burç, 25 anos, é estudante pre-doutoral e Assistente de Investigaçom no Departament of Comparative Government, da Universidade de Bonn. A sua investigaçom é sobre Estados-Naçom e Teorias do (pós-)Nacionalismo.

Advertisements

Deixar unha resposta

introduce os teu datos ou preme nunha das iconas:

Logotipo de WordPress.com

Estás a comentar desde a túa conta de WordPress.com. Sair / Cambiar )

Twitter picture

Estás a comentar desde a túa conta de Twitter. Sair / Cambiar )

Facebook photo

Estás a comentar desde a túa conta de Facebook. Sair / Cambiar )

Google+ photo

Estás a comentar desde a túa conta de Google+. Sair / Cambiar )

Conectando a %s

%d bloggers like this: