[Turquia] Ambulâncias paradas nas cidades curdas assediadas

Colamos do Curdistam.blogaliza este artigo assinado por Frederike Geerdink(*) publicado originalmente em Al Jazeera.

Os feridos nom conseguem receber tratamento devido ao toque de recolher na cidade rebelde de Cizre.

Polo menos 10 civis feridos em confrontos morrerom no sudeste da Turquia nas últimas duas semanas porque as ambulâncias nom conseguem chegar ate eles para levá-los a hospitais.

Pessoas que sangram até a morte na rua ou nas casas, ou foram internados em hospitais só quando era tarde demais – e os moradores temem que haverá mais mortes nos próximos dias.

As mortes ocorrem desde que o governo turco impom o toque de recolher 24 horas em Cizre, umha cidade de maioria curda com umha povoaçom de 120.000 habtantes. Alguns arriscam ir para fora a comprar as necessidades diárias, enquanto carregam umha bandeira branca para mostrar que eles nom som umha ameaça; outros permanecem escondidos dentro das casas.

O governo turco di que o toque de recolher, que está em vigor desde o 14 de dezembro, é necessário na sua luita contra o Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK), um grupo armado que o governo turco etiqueta como “terrorista”. Organizaçons dos direitos humanos como Anistia Internacional e Human Rights Watch acusou às forças de segurança turcas de usar umha violência desproporcional em confrontos com os jovens armados em Cizre, observando que dúzias de civis morrerom como resultado delas.

Segundo a imprensa turca, muitos moradores de Cizre fugirom da violência, e apenas umhas 20.000 pessoas permanecem na cidade hoje.

O deputado turco Faysal Sariyildiz, membro do partido pró-curdo HDP, passou um tempo na cidade em meio à crise recente. El dixo que 28 civis feridos em confrontos recentes entre as forças de segurança turcas e os jovens vencelhados ao PKK estavam presos no soto de umha casa, esperando em vam por ambulâncias para levá-los ao hospital.

“Seis dos feridos … sucumbirom as suas feridas”, dixo Sariyildiz a Al Jazeera em umha recente entrevista por telefone. “Eles estam deitados nos mesmos dous quartos do subsolo, onde os feridos estam à espera de ajuda.”

As autoridades turcas nom dam permisso para que as ambulâncias entrem nas áreas de Cizre onde as operaçons estam em andamento. Cerca de duas semanas atrás, Huseyin Paksoy, de 16 anos, foi baleado e perdeu umha quantidade significativa de sangue, morreu em um hospital em Cizre depois que tivera esperado por ajuda médica por quatro dias. Umha ambulância só foi autorizada a buscá-lo depois de um avogado turco apelou por um processo de urgência no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (CEDH), que decidiu que as autoridades turcas nom poderiam pôr em perigo o direito à vida e à integridade física de Paksoy.

Os avogados, em seguida, decidirom meter mais aplicaçons na CEDH, em outros casos, cinco dos quais forom aceites polo tribunal no prazo de um dia desde a sua apresentaçom. A vida de Helin Oncu, de 20 anos, um estudante que foi baleado enquanto visitava Cizre em circunstâncias pouco claras, foi salvo através de umha ordem do CEDH há umha semana.

Esta é a primeira vez na história da CEDH que a moçom do processo de urgência foi usada para permitir que os civis feridos fôssem levados a um hospital. Normalmente, a moçom do processo de urgência é utilizada para evitar a extradiçom para países onde as vidas dos deportados podem estar em risco.

Ramazan Demir, avogado de Istambul que coordena os pedidos urgentes de procedimento à CEDH, dixo: “Nós decidimos usar este processo de urgência depois de a CEDH rejeitou o nosso pedido para proibir imediatamente os toque de recolher por tempo indeterminado, eles só se pronunciaram sobre se os toques de recolher estam a violar os direitos fundamentais mais tarde, possivelmente este ano.”

Mas os avogados turcos descobrirom que o seu acesso à CEDH tem sido prejudicada desde o martes, depois de ter enviado um pedido para salvar as vidas de 14 pessoas gravemente feridas no soto. Demir mostrou umha carta a Al Jazeera que recebeu do tribunal, nesse momento, que afirmou que as opçons judiciais internas devem ser esgotadas antes de poder ser solicitado intervir o CEDH.

“Figemos isso [entrar com umha açom nos tribunais nacionais] nos primeiros casos e nom obtivemos um resultado positivo, entom nos seguintes casos, decidimos saltar os tribunais nacionais para economizar tempo. Esta foi aceite polo CEDH, mas agora, de repente, eles pararom de aceitar isso “, dixo Demir, nada da execuçom relativa às 14 pessoas feridas foi devolvido para o Tribunal Constitucional da Turquia, que decidiu contra eles. O pedido já foi trazido de volta à CEDH, que está previsto que emita umha decisom o martes.

“Estamos perdendo um tempo precioso, é umha questom de vida ou morte”, di Demir.

As autoridades na província de Sirnak, onde está localizado Cizre, negam que as ambulâncias foram bloqueadas polas autoridades. Umha declaraçom por escrito divulgada polo governador afirmou que as informaçons que diziam que as ambulânciasnom foram autorizadas a apanhar os feridos eram “falsas” e “sem fundamento”. De acordo com o comunicado, os feridos podem ser levado a um certo ponto na cidade de onde eles podem ser transportados para o hospital.

Sariyildiz, no entanto, di que no âmbito de tal procedimento, os feridos corriam o risco de ser disparados de novo, e muitos estam gravemente feridos para ser movidos a qualquer lugar sem umha padiola.

Demir afirma que está com raiva do CEDH para referi-los de volta aos tribunais nacionais após aceitar a primeira. “Isso nom pode ser outra cousa senom umha decisom política”. “Os curdos estam sendo vendidos polos mecanismos internacionais de justiça.”

No entanto, o CEDH afirmou que os tribunais nacionais da Turquia estam considerados como umha soluçom eficaz. Em umha carta ao Demir, o CEDH escreveu que, dada a “fluidez e imprevisibilidade de umha situaçom de conflito armado aparente, a tarefa do Tribunal é dificultada pola falta de informaçom e a dificuldade em conhecer os feitos”.

Sariyildiz di que tem pouca fé em um resultado positivo. “Nom esperamos nengumha decisom democrática de qualquer tribunal turco”, dixo, observando que o poder judicial turco vem sendo cada vez mais levado sob o control político do partido governante AK ao longo dos últimos dous anos.

Enquanto os tribunais estam a deliberar sobre o destino das pessoas no soto, outro jovem morreu, elevando o número total de mortos a sete. Sariyildiz di que teme quem pode ser o próximo.

“Um dos feridos é um menino de 12 anos, e há muitos idosos entre os feridos”, acrescentou. “Eu temo que mais pessoas vam morrer no soto nos [próximos] dias.”

* .- Frederike Geerdink é umha jornalista freelance de origem holandês que viveu em Turquia e o Curdistam entre o 2006 e 2015, quando foi deportada polo régime turco. Tem escrito numerosos artigos sobre o Curdistam e um livro sobre a matança de Roboski, onde a aviaçom turca assassinou a 34 aldeans.

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